terça-feira, 23 de outubro de 2012

Como descobrir a vontade de Deus para a minha vida?


Para John Stott, para descobrir a vontade de Deus para as nossas vidas, primeiramente precisamos entender que há uma distinção entre a sua vontade “universal” e a sua vontade “específica”.
A vontade de Deus universal é a mesma para todo o povo de Deus, que sejamos “conforme a imagem de seu Filho”, ou seja, ser como Cristo! (Romanos 8:29). Já a específica tem haver com nossas escolhas do dia-a-dia como profissão, companheiro, como aproveitar nosso tempo e energia, em que lugar estar, etc.
A vontade de Deus específica não se encontra na Bíblia. Às vezes ocorre de Deus ter guiado uma pessoa por intermédio de um versículo extraído do seu contexto, mas a Bíblia não são textos desvinculados, mas uma relação histórica e cumulativa.
Porém a Bíblia contém sim, princípios que são relevantes a questões específicas, como o casamento: o matrimônio é plano de Deus; que o cristão é livre para casar com outro cristão; que o casamento é o único contexto ordenado por Deus para as relações sexuais, etc. São diretrizes gerais estabelecidas na Bíblia, mas não definem o nome da pessoa com quem você casará ou se permanecerá solteiro.
Há 5 palavras que John Stott descobre que são guias seguros para entender a vontade de Deus:
1 – CEDER - dar lugar ao propósito de Deus na nossa vida. Deus “conduz os humildes na justiça e lhes ensina o seu caminho” (Salmos 25:9) para aqueles que tem essa disponibilidade interna de aceitar a vontade de Deus.
“Uma vontade que não se rende é o mais sério de todos os obstáculos para se descobrir a vontade de Deus” J. Stott
2 – ORAR - não basta entregar sem confiança, é preciso esperar em oração e ser sustentado por ela.  ”Peçam, e lhes será dado” (Mateus 7:7); “Não têm, porque não pedem.” (Tiago 4:2 )
“Ele não revela a sua vontade, a não ser que realmente queiramos conhecê-la e expressemos esse desejo em nossas orações” J. Stott
3 – FALAR - não devemos tomar nossas decisões sozinhos. Deus nos concedeu uns aos outros em família, e isso requer humildade para buscar conselhos com os nossos pais, amigos e líderes espirituais. “O orgulho só gera discussões, mas a sabedoria está com os que tomam conselho.” (Provérbios 13:10)
“Que as nossas decisões sejam tomadas em grupo, assumidas com responsabilidade na rica comunhão que Deus nos colocou” J. Stott
4 – PENSAR - não devemos nos comportar como cavalos e mulas! “Eu o instruirei e o ensinarei no caminho que você deve seguir; eu o aconselharei e cuidarei de você. Não sejam como o cavalo ou o burro, que não têm entendimento mas precisam ser controlados com freios e rédeas, caso contrário não obedecem.” (Salmos 32:8-9) Não podemos esperar que ele cumpra suas promessas utilizando “freios e rédeas”, ou seja, por meio da força, porque ele nos guia através da mente que nos deu e que nos possibilita pesar cuidadosamente, em cada situação, os prós e os contras.
5 – ESPERAR - “É um erro apressar-se e ficar impaciente com Deus”, muitos homens de fé esperaram por anos para que se cumprisse a vontade de Deus em suas vidas. Moisés teve sua vida trabalhada 80 anos para depois ser o grande líder do povo de Deus; Abraão alcançou a promessa do messias 2000 anos depois.
Stott diz que se temos que tomar uma decisão dentro de um certo prazo devemos fazê-lo, mas, caso ao contrário, se o caminho a nossa frente é incerto, o mais sábio é esperar.
“Em minha experiência, cometem-se muito mais erros por causa da precipitação do que de protelação” J. Stott
–> Ceder, orar, falar, pensar e esperar, nessa ordem, é chegar perto daquilo que é vontade de Deus perfeita e agradável, assim nos sentiremos em paz e realizados, embora a cada dia necessitamos tomar novas decisões e renovar a nossa mente, portanto, é uma busca diária!
(Resumo do livro “Ouça o mundo, ouça o Espírito – John Stott, ed. ABU)

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